
Seis em cada dez motociclistas já sofreram um sinistro de trânsito. O dado foi revelado por uma pesquisa que ouviu 23.240 usuários de motocicletas nos 27 estados brasileiros. O levantamento aborda a percepção dos motociclistas sobre segurança no trânsito e os fatores que influenciam a adoção de comportamentos seguros.
Realizado pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), pelo Instituto Qualisa de Gestão (IQG) e pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), o levantamento analisou a cultura de segurança no trânsito a partir de três dimensões: indivíduo, grupo e sistema. Os resultados mostram que os motociclistas apresentam alta percepção sobre os riscos e sobre sua capacidade de adotar comportamentos seguros, mas encontram dificuldades relacionadas ao ambiente social e ao próprio sistema de trânsito.
A reportagem conta com a participação do presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), Dr. Miguel Akkari, que destaca a importância de considerar as condições oferecidas aos motociclistas na prevenção dos sinistros. Segundo Akkari, a pressão por produtividade e rapidez, especialmente entre aqueles que utilizam a motocicleta como instrumento de trabalho, pode dificultar a adoção de comportamentos seguros.
Além disso, ressalta ainda que mais da metade dos entrevistados afirmou pilotar seis horas ou mais por dia, evidenciando a relação entre o uso da motocicleta e o trabalho para parte significativa dos condutores. O levantamento também aponta desafios relacionados à infraestrutura, à fiscalização e às condições do sistema de trânsito, que influenciam diretamente a segurança dos motociclistas.
O impacto dos sinistros envolvendo motocicletas se estende à saúde pública. Ao longo de 15 anos, foram registradas 166.026 internações de motociclistas, em um universo de 251.699 hospitalizações relacionadas ao trânsito. Os casos envolvem fraturas, lesões complexas e traumas que, em muitos casos, podem resultar em consequências permanentes.
A matéria também aborda a necessidade de ações integradas entre motociclistas, empresas, plataformas, poder público e sociedade, envolvendo melhorias na infraestrutura e sinalização, fiscalização, tecnologia e respeito às normas de trânsito.
A SBOT reforça a importância da prevenção dos sinistros de trânsito e da atuação conjunta entre diferentes setores da sociedade para reduzir traumas, sequelas e mortes e promover um trânsito mais seguro para todos.
Leia a matéria na íntegra na Veja:
7 de outubro de 2026 • 16:07
