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Nota de Pesar Márcio Ibrahim de Carvalho

By |2021-06-04T18:02:23-03:0004/06/2021|Notícias|

É com grande tristeza que a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia comunica o falecimento do Professor Márcio Ibrahim de Carvalho, ocorrido na madrugada desta sexta-feira. Sua irrepreensível jornada acadêmica, profissional e familiar é, para nós, um legado de inestimável valor. Ex-presidente da SBOT no período de 1976-1977 e reconhecido como um dos maiores ícones da Ortopedia e Traumatologia, influenciou várias gerações de discípulos no Brasil e no Mundo.

Como mestre, deixa-nos seu conhecimento. Como homem, seu exemplo. Como amigo, a saudade.

Que Deus o receba em sua morada!
Descanse em paz mestre!

Obituário Márcio Ibrahim de Carvalho

Confira a Homenagem oficial da SBOT ao Prof. Márcio Ibrahim de Carvalho

Sua brilhante trajetória na SBOT:

Márcio Ibrahim de Carvalho formou-se pela Universidade Federal de Minas Gerais em 1952. Iniciou a carreira como cirurgião geral, mas logo enveredou pela ortopedia, que via como uma forma de ajudar na recuperação dos pacientes. Trabalhou na estruturação do serviço de ortopedia do Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte, em 1957. Participou muito ativamente da SBOT desde então.

Em 1967, sentiu que já era hora de dar um passo adiante, e propôs editar uma revista científica da especialidade para a Sociedade. Conseguiu de Achilles Araujo a permissão de utilizar o nome da RBO (Revista Brasileira de Ortopedia) e começou a produzi-la na Universidade Federal de Minas Gerais. Permaneceu editor da revista por cinco anos. “A SBOT já tinha evoluído cientificamente ao ponto de que o congresso anual já não era tudo: era preciso haver vida ativa entre os congressos”, revela Ibrahim, “o que motivou uma reforma no estatuto da SBOT e a criação do Plano Nacional de Residência Médica”.

Ibrahim relembra que, antes disso, era atribuição da presidência cuidar da produção do congresso, mas a partir dali criaram-se comissões para cada área de atuação: uma só para o congresso, outra para o treinamento, outra para defesa profissional, todas respondendo ao presidente, mas permitindo uma atuação mais aprofundada em cada uma. Ibrahim fez parte da Comissão de Ensino e Treinamento (CET) desde sua formação.

Foi aos Estados Unidos para estudar como era realizado o exame do board local e trouxe para o Brasil a experiência para adaptá-la à nossa realidade. Em 1972, quando da realização do primeiro Exame Nacional para Título de Especialista em Ortopedia, foi presidente da CET. No ano seguinte, foi eleito presidente da SBOT. Ibrahim relata sobre a elaboração dos exames na era pré-computador: “nós reuníamos vários colaboradores, que contribuíam cada um com um conjunto de questões, que eram avaliadas e resolvidas por todos.

As 100 melhores iam para o Exame, e as restantes formavam um banco de questões. Na minha casa, nessas reuniões, minha esposa Jane datilografava as provas, que eram então copiadas no mimeógrafo para entrega aos candidatos. No ano seguinte, aproveitávamos as questões do banco e formulávamos novas, de maneira que o Exame ia evoluindo.” A formação desse primeiro banco foi extremamente trabalhosa e exigiu dedicação e empenho que, depois, foram reconhecidos dentro e fora do Brasil. Além da prova, a avaliação pessoal também era muito cuidadosa. Ibrahim conta que, desde o primeiro exame, todos os candidatos eram avaliados nas quatro áreas principais (ortopedia do adulto e infantil, trauma e patologia básica) e, na prova oral, por dois examinadores. Dois anos após a instituição do exame, foram avaliados os primeiros residentes formados após a instituição do Plano de Residência. “Aí foi possível fazer a primeira reavaliação do próprio exame”, entende Ibrahim, “pois pudemos verificar em quais das quatro áreas os residentes tinham mais dificuldade. Alguns anos depois, quando o exame finalmente foi informatizado, isso ficou mais fácil. A partir dessa avaliação pudemos notar, por exemplo, que havia um abuso de próteses totais nos hospitais de ensino”.

Ibrahim presidiu a SBOT no biênio 1976-77. “Encontrei a SBOT num cenário de renovação, de muitas inovações. Demos apoio a Bruno Maia para que escrevesse a história da SBOT e registrasse a bibliografia da especialidade e pudemos ver, pelo brilhante trabalho dele, o quanto a ortopedia brasileira havia evoluído. Como ele mesmo escreveu, a SBOT era adolescente e amadureceu nessa época”. O futuro da SBOT está pautado nas subespecialidades, avalia o especialista em cirurgia do quadril que, aos 82 anos, ainda está ativo e viajando para frequentar congressos. “A subespecialização veio para nos ajudar, porque ninguém conseguiria absorver tanto conhecimento sobre tudo”. Porém isso, ao mesmo tempo, é um grande desafio: “a subespecialização é inevitável, não tem retrocesso. A enorme dificuldade que a SBOT terá daqui para frente é manter a família unida, não deixar enfraquecer a ortopedia geral e continuar realizando os congressos gerais, que tendem a se enfraquecer.”

Adalberto Visco
Presidente SBOT

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