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Lesões Musculares

By |2019-01-11T10:07:57-03:0015/10/2018|Artroscopia e traumatologia do esporte|

O que é?

O sistema muscular é constituído por células estriadas – as fibras musculares – que possuem formato alongado, estão dispostas em paralelo e são constituídas majoritariamente de água e proteínas.

As lesões musculares estão entre as mais frequentes da Traumatologia Esportiva, representando entre 10% e 55% de todas as lesões no esporte.

Existem várias possibilidades para o surgimento dessas lesões. Entre as principais estão os longos períodos de afastamento do esporte, as reincidências de lesões anteriores, perda de rendimento esportivo e o mau preparo para a prática de exercícios físicos.

As diferentes características dos grupos musculares, os tipos de exercícios físicos praticados e o perfil corporal da pessoa são algumas das variáveis que influenciam o tipo, tamanho e gravidade da lesão.

As lesões ocorrem geralmente na transição/junção miotendínea (JMT). Trata-se da principal área de transmissão de força e que atua no posicionamento e estabilização articular. Estatísticas identificaram que a maioria das lesões ocorre na fase de contração excêntrica.

A lesão causa um desarranjo na estrutura das fibras musculares, desencadeando um processo de morte celular (necrose), inflamação, reparo e fibrose.

Classificação

Existem várias classificações; há uma que separa as lesões musculares em três modalidades: diretas e indiretas; traumáticas e atraumáticas e parciais ou totais. Confira a seguir algumas das características específicas dessas lesões:

Diretas e Indiretas
Lesões diretas: decorrentes das situações de impacto, geradas durante as quedas ou traumatismos de contato.
Lesões indiretas: ocorrem na ausência de contato e são observadas em modalidades esportivas que exigem grande potência na realização dos movimentos.

Traumáticas e Atraumáticas
Lesões traumáticas: contusões, lacerações e pelo estiramento muscular.
Lesões atraumáticas: cãibras e dor muscular tardia.

Parciais ou Totais
Lesões parciais: acometem parte do músculo.
Lesões totais: abrangem a totalidade do músculo e acarretam deformidade aparente, causa assimetria e perda da movimentação ativa.

Os tipos

As contusões e lacerações musculares são causadas por traumatismos diretos e são mais frequentemente encontradas nos esportes de
contato, enquanto os estiramentos musculares são lesões indiretas e ocorrem principalmente nos esportes individuais e com grande exigência
da potência muscular. Veja a seguir os tipos mais comuns e suas características:

Contusão muscular – O traumatismo direto desencadeia um processo inflamatório imediato, com dor localizada, edema, presença ou não de hematoma, limitação de força e mobilidade articular, rigidez e dor ao alongamento passivo. Os músculos mais frequentemente acometidos por contusões são: quadríceps e gastrocnêmicos.

Dor Muscular Tardia (DMT) – É um fenômeno frequente que acomete indivíduos que iniciaram uma atividade física após um período de inatividade, reiniciaram a atividade com volume ou intensidade desproporcionais ao condicionamento físico, ou mesmo naqueles sem o hábito de praticar esportes, que realizaram uma carga de exercício muscular vigoroso.
O desconforto e a dor se iniciam geralmente algumas horas após o término da atividade física, sendo mais intensos ao redor de 24 a 48
horas.

Laceração Muscular – São resultantes de traumatismos graves em sua maioria penetrantes e menos frequentemente acometem os praticantes de esportes.

Estiramento Muscular – Estão entre as lesões mais comuns registradas nos membros inferiores no esporte e resultam em tempo de
afastamento significativo dos treinamentos, dor, limitação funcional e redução do rendimento esportivo. É considerado uma lesão indireta, caracterizada pelo alongamento das fibras além dos limites normais (fisiológicos).

Fatores de risco

– Fadiga muscular
– Pouca flexibilidade
– Deficiências de força
– Músculos biarticulares (que atuam em mais de um movimento de articulação (coxa e quadril ou coxa e joelho, por exemplo)
– Tipos de fibras musculares

Sintomas

A história clínica é marcada por dor súbita localizada, de intensidade
variável, algumas vezes acompanhada de um estalido audível, mas pode também ocorrer de maneira insidiosa.
Ocorre geralmente durante um movimento de corrida, salto ou arremesso e
culmina com a interrupção do mesmo. A dor pode estender-se por todo o comprimento do músculo lesionado, e piorar durante a contração ativa e ao alongamento passivo.

O exame físico revela edema localizado, tensão aumentada do tecido
ao redor e possibilidade de um defeito (área de depressão local) visível
ou palpável. A presença de equimose (mancha de sangue) ou hematoma tem o significado de uma lesão de maior extensão e gravidade, pois houve sangramento tecidual.

A contração contra resistência revela dor local e impotência funcional, caracterizada pela incapacidade de se mover a articulação.

Gelo ou calor?

Essa é uma dúvida importante quando se fala sobre alguma lesão muscular. Quando se deve usar uma bolsa de gelo ou de calor no local da lesão?
Lembre-se: gelo deve ser utilizado quando há inflamação. Isto é, quando há sinais como dor, inchaço, vermelhidão, aumento da temperatura do local e diminuição das funções de força e/ou movimento. O gelo ajuda a reduzir o inchaço e a dor, além de limitar a extensão da lesão. A bolsa de água quente serve somente em casos de tensão crônica da musculatura. Isto é, quando há tensão muscular que provoca dor e a diminuição da mobilidade. O calor alivia temporariamente a contração muscular excessiva apenas temporariamente.

Vale lembrar que antes do uso prolongado – tanto as bolsas de gelo ou de calor – deve ser investigado e diagnosticado e tratado por um profissional.

Diagnóstico

O diagnóstico das lesões musculares deve abranger história e exame
clínico adequados feitos por um médico especialista em ortopedia e traumatologia, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, podendo ser complementados por métodos de diagnóstico por imagem.

Dentre os métodos de diagnóstico por imagem, o ultrassom e a ressonância magnética podem auxiliar na identificação de uma lesão muscular, confirmar a suspeita clínica, auxiliar no prognóstico e na prescrição do tratamento.

Tratamento

Em geral, o tratamento abrange uma sequência de objetivos. O primeiro deles é o controle da dor e do processo inflamatório, reduzir, consequentemente o espasmo muscular, auxiliar na regeneração e reparação tecidual, recuperar a flexibilidade pregressa, recuperar a função contrátil, restaurar a função normal do músculo, minimizar o risco de relesões e preparar o indivíduo para o retorno às atividades nas condições ideais. Veja alguns dos principais recursos utilizados para tratar a fase aguda da lesão:

Medicamentos – Medicamentos analgésicos, anti-inflamatórios não-esteroides e miorrelaxantes são utilizados largamente no controle da dor, da inflamação e do espasmo do tecido muscular, porém devem ser utilizados por curtos períodos.

PRICE – Os princípios do tratamento das lesões musculares na fase aguda seguem o método PRICE (proteção, repouso, gelo, compressão local e elevação do membro acometido).

PERGUNTAS A FAZER AO ORTOPEDISTA

  • Você é especialista pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia?
  • Como posso saber logo de cara que minha lesão é grave?
  • Gelo no local ajuda ou atrapalha?
  • Quanto tempo devo permanecer em repouso?
  • Qual é o prazo estipulado para retorno às atividades?
  • Devo fazer fisioterapia?

A SBOT é uma associação nacional de especialidade médica responsável por congregar os especialistas em Ortopedia e Traumatologia. A Sociedade promove e tem a responsabilidade na formação de especialistas, além de prover condições para atualização permanente, sob a forma de ensino, pesquisa, educação continuada, desenvolvimento cultural e defesa profissional.

Referências
1. www.sbrate.com.br/pdf/artigos/atualizacao_lesoes_musculares.pdf

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