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>>Falecimento do Professor Doutor Roberto de Attílio Lima Santin

Falecimento do Professor Doutor Roberto de Attílio Lima Santin

By |2020-07-14T14:05:29-03:0014/07/2020|Notícias|

Faleceu na manhã de 13 de Julho de 2020 o Professor Roberto Santin, aos oitenta e dois anos. Médico, formou-se na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo no campus de Ribeirão Preto. Recém formado veio para São Paulo pretendendo especializar-se em Ortopedia, o que abraçou com paixão. Fez especialização na Santa Casa de São Paulo e permaneceu ligado ao Pavilhão Fernandinho, Departamento de Ortopedia da Faculdade de Ciências Médicas que ali surgira.

Logo foi designado para a chefia do Grupo de Medicina e Cirurgia do Pé, mas possuidor de alma inquieta praticava a Ortopedia plenamente. Seu doutorado foi sobre tratamento das fraturas do acetábulo, técnica que foi precursor no Brasil em conjunto com o amigo Élio Consentino. Tinha a característica de trabalhar intensamente, e como gostava de ensinar, estava sempre cercado de jovens assistentes.

A curiosidade científica o motivou a ser precursor do método de Ilizarov em nosso meio. A chegada da técnica peculiar trouxe grande alarido ao meio ortopédico. Em pouco tempo, havia o alarido passado a beligerância. Nas escolas ortopédicas ainda imperava o personalismo nas condutas terapêuticas, informações científicas chegavam lentamente e o convívio científico sem preconceitos apenas engatinhava. Como um dos decanos que se dedicavam à técnica, assumiu a liderança do incipiente movimento, algo desorganizado. Sua característica no relacionamento com o próximo era a gentileza, a maneira polida no trato e capacidade infinita de ouvir sempre atentamente ao outro. Conseguiu naquele tempo, a infrequente união dos diversos Departamento e Serviços das Escolas de Medicina em mesmo Comitê da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, em que fez questão de não ser o primeiro Presidente.

Como Professor Adjunto da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, agregou discípulos que o procuravam não só com questões técnicas e problemas clínicos mais difíceis. Havia sempre tempo para o convívio e atenção para as dificuldades da vida. Os que o cercavam, aprendiam precocemente a serem gentis e respeitosos com os paramédicos no centro cirúrgico. Explicava que se o responsável pelo procedimento perdesse a tranquilidade e, portanto o comando de uma cirurgia, como agiriam os assistente e auxiliares de sala operatória? Creio que nunca ouviu a resposta ao ensinamento.

Como Professor entendeu que deveria ter participação na vida associativa científica de sua especialidade: foi presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), da Associação Paulista de Ortopedia e Traumatologia (SBOT-SP) –Departamento da Associação Paulista de Medicina APM, Presidente da Sociedade Brasileira do Trauma Ortopédico, Presidente da Sociedade Brasileira de Alongamento e Reconstrução Óssea (ASAMI). Na atividade associativa mais uma vez demonstrou como com gentileza e atenção, podemos respeitando os mais diversos objetivos, chegar no bem coletivo mais relevante.

Com a experiência que a intensa atividade ininterrupta no consultório privado lhe trouxe, e a observação da relação entre os médicos que naturalmente o cercavam, foi conduzido ao cargo – que ocupou por anos – a Diretoria Clínica do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Nas conversas descontraídas, mostrava grande entusiasmo com detalhes técnicos do funcionamento do moderno hospital, e discretamente sempre preservando os envolvidos, trazia para os mais novos ponderações de como facilitar e adequar as relações éticas e morais entre os profissionais da saúde. Abria a porta de sua casa fosse para orientar a apresentação de trabalhos científicos, fosse para ajudar a buscar na coleção de livros as soluções para os casos mais complexos; isso usualmente no final de semana pois a dedicação ao paciente o indisponibilizava nos dias úteis.

Como orientador da vida acadêmica, sempre se preocupou em facilitar o nosso caminho, porém cobrando iniciativa e criatividade. Por muitos anos quando a cirurgia não ocorria como planejado, estava sempre por perto para a crítica construtiva e se preciso a ajuda na correção.

Uma vida com muito trabalho, dedicada ao exercício de uma profissão que encarava como arte, e insistia em dizer “praticar a Medicina é tão intenso, que exercê-la simultaneamente a qualquer atividade é para poucos, alguns superdotados”.

Como amigo, era a comunhão disto tudo. Generoso, estimulava-nos a andar pelas próprias pernas. Estava por perto o suficiente para participar, sem sufocar. Dividia conosco prazerosamente a alegria do convívio com a numerosa família. Nas viagens, sempre animado, sabia aproveitar a vida.

Caro Roberto Santin, a Ortopedia Brasileira está enlutada e sentirá sua falta. Os amigos e discípulos precisarão de um bom tempo para acostumar-se à falta de seu ouvir e ponderar sobre a vida.

Marcelo Mercadante
Discípulo, admirador e amigo

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