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Mochilas escolares: como evitar dores nas costas e problemas futuros na volta às aulas

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Mochilas escolares: como evitar dores nas costas e problemas futuros na volta às aulas

Por Miguel Akkari, ortopedista pediátrico e presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT)

O excesso de peso nas mochilas escolares e o esforço repetitivo durante a infância e a adolescência podem estar relacionados a vícios posturais e problemas de coluna na idade adulta. Segunda a Organização Mundial da Saúde, é a principal causa de incapacidade em todo o mundo e a OMS estima que o número de casos aumentará para 843 milhões até 2050. Por isso, a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) recomenda que o peso da mochila não ultrapasse de 10% a 15% do peso corporal da criança ou do adolescente. Um jovem de 50 quilos, por exemplo, deveria carregar no máximo entre 5 e 7,5 quilos. Essa proporção é importante porque crianças de idades e estaturas diferentes respondem de forma diferente ao mesmo peso.

Com a volta às aulas, o tema volta ao centro das atenções de pais, educadores e profissionais de saúde. A boa notícia é que, com orientação adequada, organização e escolhas simples, é possível reduzir significativamente dores, incômodos e sobrecarga musculoesquelética no dia a dia escolar.

O primeiro ponto que precisa ser considerado é quanto tempo a criança realmente carrega a mochila. Hoje, muitas famílias deixam os filhos na porta da escola, e eles caminham apenas alguns metros até a sala de aula. Essa situação é muito diferente de crianças e adolescentes que percorrem longas distâncias a pé ou utilizam transporte público, carregando a mochila por vários quarteirões. Por isso, é importante não criar alarmismo. O risco não está apenas no peso isolado, mas na relação entre peso, tempo de uso e forma de transporte.

Grande parte do peso excessivo vem do material didático. Livros e cadernos ainda são pesados, e muitas escolas não dispõem de armários para que os alunos deixem parte do material. Nesse cenário, a organização familiar é fundamental. Os pais devem orientar os filhos a levar apenas o material necessário para aquele dia, evitando carregar livros e cadernos que não serão utilizados. Esse hábito simples reduz bastante o peso da mochila. Do ponto de vista estrutural, as escolas também podem colaborar, seja oferecendo espaços para armazenamento, seja organizando a grade de aulas para evitar que muitas disciplinas exijam material pesado no mesmo dia.

A mochila de rodinhas pode ser uma boa opção desde que o trajeto seja plano. Em locais com escadas, degraus ou pisos irregulares, ela se torna um problema e pode exigir ainda mais esforço. Nessas situações, a mochila tradicional de ombro, usada corretamente, costuma ser mais adequada.

Alguns critérios fazem toda a diferença:

  • Nunca usar mochila de alça única. O ideal é que seja de duas alças, para distribuir o peso.
  • As alças devem ser largas e acolchoadas. Alças finas aumentam a pressão sobre os ombros e o pescoço.
  • A mochila deve ser estruturada, com a parte que fica em contato com as costas mais firme.
  • Modelos com vários compartimentos ajudam a distribuir melhor o peso.
  • Se houver uma alça extra na altura do abdômen, melhor ainda: ela evita que a mochila balance e mantém o peso mais próximo do corpo.

A regulagem também é essencial. A mochila deve terminar na região lombar, no início do bumbum. Muito alta ou muito baixa, ela altera o centro de gravidade e provoca compensações posturais.

Dentro da mochila, o material mais pesado deve ficar junto às costas, próximo à parte mais rígida. Os itens mais leves podem ser colocados nos compartimentos externos. Essa organização melhora a mecânica do corpo e reduz a sobrecarga sobre a coluna e os ombros.

É importante tranquilizar as famílias. Não há evidências científicas de que o uso de mochila cause doenças estruturais da coluna, como escoliose. Essas são condições de origem própria, não são provocadas pelo peso da mochila. O que a mochila pode causar são dores e desconfortos pontuais: dor nas costas, nos ombros e no pescoço, especialmente quando usada de forma inadequada, em apenas um ombro, com excesso de peso ou mal regulada. Esses incômodos não costumam gerar lesões permanentes, mas afetam o bem-estar da criança e do adolescente e devem ser prevenidos.

Com organização, escolha adequada da mochila e orientação constante, é possível atravessar o ano letivo com mais conforto, menos dor e mais saúde para a coluna, hoje e no futuro.

Referências: 

https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/low-back-pain

https://www.sbotsp.org.br/volta-as-aulas-um-alerta-da-sbot-sobre-o-peso-das-mochilas-das-criancas/

https://www.sbotsp.org.br/wp-content/uploads/2019/01/CAMPANHAS-MOCHILAS-ESCOLARES-2019.pdf

 

7 de abril de 2026 • 14:21

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